Período de molde

*Luiz Carlos Prates

Num primeiro momento da nossa vida, nos primeiros anos de vida, nossa mente é como uma formidável massa de modelagem, tanto que Freud caracterizou esses primeiros meses, anos de vida, de “período de molde”.

Nossa mente, nesse tempo, é como uma bola de cera, o que você “riscar” sobre ela, fica, ficará. Digo o que digo, leitora, para relembrar, ressaltar e quase impor a obrigação de todos nós, pais, professores, mais velhos, na educação das crianças.

Elas serão, mais tarde, o que nós um dia colocamos em suas cabecinhas, no tal período de molde. Não vamos longe. Por que o brasileiro é avesso a teatro, a teatro de qualidade? Por que é avesso à música erudita, chamada de clássica? Por que as belas artes são apreciadas por tão poucos? Porque os adultos-educadores são, na grande regra, toscos, “analfabetos diplomados”, reprodutores de pais que também foram apoucados da mente.

Mas isso não nos isenta da responsabilidade pelo nosso crescimento pessoal, que depois de uma certa idade é de nossa inteira responsabilidade. Claro, ficam os básicos, os preconceitos, os medos, as inseguranças, mas tudo pode ser “controlado” ou disciplinado pela consciência.

Dia destes, o Paulo Markun, diretor da TV Cultura, de São Paulo, fez uma declaração formidável, guardei-a comigo. O Markun, pressionado pela “baixa” audiência da TV Cultura, disse:

— Se a gente (TV Cultura) for se pautar apenas pela audiência, estaria discutindo a troca de programas sobre balé, música clássica e literatura por programas de futebol, relações de casais e culinária.

Bah, aperta aqui, Markun, tens toda a razão! Quem faz ou dirige TV comercial só visa ao lucro, a ter audiência que produz números e isso engana a quem só vê números pela frente. Qualidade que é bom, nada. Se o pessoal que dirige a TV Cultura ceder às pressões por audiência, tem razão o Markun, vamos dar ao povo mais Anas Marias Bragas na cozinha, mais Marcias Goldschmit com histórias do coração, mais futebol de inutilidades, mais BBBs, mais Silvios Santos, mais Trapalhões, mais essa lixareda toda que anda por aí.

É preciso que, no período de molde de nossas crianças, as façamos conhecer boa música e não a música dominante, a dos obtusos da mente, funks e pancadões, hip-hops e esses gritos todos que é o que só tocam nas FMs. Regra geral. Ou damos às nossas crianças, desde cedo, os melhores estímulos ou vão continuar cantando o que cantam, ouvindo o que ouvem, falando como falam e vestindo como se vestem.

Boa, Markun, não te entrega.

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