Boa-noite, gaiteiro!

* Luiz Carlos Prates
Ando desanimando. E antes que algum pressuroso me chame de “santinho”, de santo nada tenho. Minha cabeça, como todas e no dizer de Machado de Assis, é um caso de polícia. Mas uma coisa é pecar no pensamento e outra é fazer. No pensamento, vivo em pecado, bah!

Já disse que tenho entre meus defeitos o defeito da gratidão. Não esqueço, jamais esquecerei quem me estendeu a mão, quem me fez um agrado, quem me foi útil, quem me deu um bom conselho etc etc. Mas estou cansando, quero reciprocidade. Dou um exemplo.

Não raro, paro o carro, tranco o trânsito dos que vêm atrás de mim, para deixar passar um motorista que está numa rua lateral, sem chances de entrar na pista principal sem que alguém lhe dê passagem. Faço isso, e é só decepção. O cara entra na pista e nem dá uma buzinadinha ou faz um sinal com a mão. O grosso acha que fiz uma obrigação. Enchi, não faço mais. O justo vai pagar pelo pecador. E como os pecadores são maioria…

Faz muito tempo que venho lembrando nestas conversas que gentileza gera gentileza. Não é bem assim. Gentileza só gera gentileza quando encontra também alguém gentil, fora disso não.

Diante da acelerada extinção das virtudes, da valorização do que é bom, a cortesia, coitada, agoniza. Cortesia nada mais é que aplicação prática da boa educação. O diacho é que a maioria que anda por aí confunde educação com instrução. Educação é família, é a aplicação na vida dos básicos das virtudes. Instrução é transmissão de conhecimentos, é qualificação para a vida profissional, nada mais.

Claro que se pode aperfeiçoar a educação caseira na escola. E isso se “faria” pelos regimentos disciplinares das escolas (?) e pela postura correta dos professores. Nesse caso, com bons exemplos na escola, complementar-se-ia a educação caseira.

Não é o que se vê, todavia. As gentilezas agonizam. Você, por exemplo, abre um espaço do seu tempo para atender a uma pessoa que lhe pede uma ajuda, um conselho, o que for. A pessoa vem, é atendida e sai achando que você não fez mais que a obrigação.

Não faço mais, cansei.

Dia destes uma mulher, na rua, me contou uma história braba, filho encrencado, filha com problemas, e eu sem conhecer ninguém. Ouvi e fiz o que pude, dei-lhe R$ 50. Ela pegou o dinheiro, saiu e nem olhou para trás, desapontada, furiosa comigo. Ela queria 500. Bem-feito, seu trouxa. É tudo assim.

Ah, e não esqueça: você faz, faz, faz e faz além da conta na sua empresa e pensa que conta? Nada, não há troco. É a regra. Cansei de tudo, boa-noite para o gaiteiro!

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